A atividade econômica da indústria do Estado do Tocantins contempla 1.729 unidades de produção , cumulativamente, ativas e formais que geram 18.590 empregos formais. Os gráficos a seguir indicam, respectivamente, suas distribuições por “Seção”, segundo terminologia adotada pela CNAE Versão 2.0 , e por “Porte”.
Os segmentos da Indústria de Transformação e Construção, com prevalência da primeira; perfazem quase dois terços (64%) do universo industrial e as micro e pequenas unidades, com ampla predominância das primeiras, compõem sua quase totalidade (95%).
Não existem dados específicos e atualizados sobre volume de produção (e economia) gerado pela indústria no Estado, contudo ele pode ser avaliado através do volume de recursos financeiros injetado na economia pela remuneração paga aos seus empregados (Massa Salarial Formal). O gráfico abaixo indica a Massa Salarial paga aos empregados da indústria do estado desagregada por atividade independentemente dos segmentos a que pertencem.
No primeiro lugar do “ranking” da massa salarial (e importância econômica) há um empate técnico entre Obras de Infraestrutura (subdivisão do segmento da “Construção”) e Fabricação de Produtos Alimentícios (subdivisão do segmento da “Indústria de Transformação”) que, juntos, perfazem um terço dos salários pagos pela indústria (31%).
A atividade Obras de Infraestrutura é um dos colorários do PAC - Programa de Aceleração do Crescimento promovido pelo Governo Federal. No estado, ele contempla a implantação de macro canais viários (Ferrovia Norte Sul e sistemas multimodais associados) e grandes obras de geração hidrelétrica (Usinas Hidrelétricas no Rio Tocantins e principais tributários). A atividade de Fabricação de Produtos Alimentícios está associada à oportunidade de verticalização do insumo originado na atividade agropecuária, que foi no passado a base da economia do estado e está ligada à suas raízes históricas.
Do ponto de vista econômico enquanto na primeira destas atividades predominam características conjunturais, na segunda predominam, sobretudo, as de caráter estrutural. Mantido o atual fluxo de recursos destinados às políticas públicas atinentes ao tema e conseqüente conclusão das obras atualmente em execução é expectável um progressivo desaquecimento da mesma. Por outro lado, a produção agrícola no estado, atualmente, crescente deve atrair capitais de outras regiões do país motivados pelo menor custo de produção. Esta dicotomia natural conduz ao vaticínio, em longo prazo, de uma tendência, senão uma vocação, de desenvolvimento da indústria do estado lastreado na agroindústria alimentícia.
Na 2ª e 3ª colocação do “ranking”, totalizando 22% da massa salarial paga pela indústria, comparecem, respectivamente: Eletricidade, Gás e Outras Utilidades e Captação, Tratamento e Distribuição de Água. Estes serviços, são, no estado, a quase duas décadas, objeto de concessão à empresas de economia mista com controle privado. Estes exemplos apontam para o acerto da privatização de serviços desta natureza, normalmente a cargo do poder público. Fica o estado assim desonerado do ônus financeiro e liberado para exercer sua missão de coordenar e gerir o desenvolvimento sócio-econômico.

Na 4ª colocação do “ranking” referido, novo empate entre a Fabricação de Coque, Produtos Derivados do Petróleo e Biocombustíveis e a Construção de Edifícios. A primeira deve-se a instalação no estado, em anos recentes, de refinarias de óleos vegetais e álcool para fabricação de biocombustíveis também motivados pelos baixos custos de produção, e a segunda é corolário do aquecimento da construção urbana para fazer frente ao afluxo migratório de que o estado tem sido alvo desde sua criação e, recentemente, estimulado pela expansão do crédito imobiliário patrocinado pelo governo federal.
Em 5º lugar das maiores massas salariais da indústria, aparece a Fabricação de Produtos Minerais Não Metálicos que contempla, sobretudo, as fábricas de cerâmica vermelha (telhas e blocos). Esta atividade é tradicional no estado devido à abundância da sua principal matéria prima que é a argila, proveniente tanto das várzeas que acompanham os grandes cursos d’água como da desintegração de rochas sedimentares.
Examinadas as circunstâncias que condicionaram a distribuição do salário pago entre as principais atividades da indústria, resta lançar alguma “luz” sobre a natureza das duas maiores devido a sua importância como subsídio ao estudo do tema. Com esse propósito, os gráficos a seguir desagregam o Emprego Formal das duas primeiras colocadas no “ranking” antes referido e permite melhor compreender o tecido industrial do estado.
A primeira colocada (Obras de Infraestrutura) compreende três subatividades no estado que, no conjunto, respondem como se viu por 16% da massa salarial e um quinto do emprego gerado na indústria (21%). Nota-se ligeira concentração do emprego formal nas obras de “geração de energia hidrelétrica”, vindo a seguir a “rodovias ferrovias e obras viárias associadas”. As empresas que as sediam são, em sua maioria, médias e grandes empreiteiras da construção civil, intensivas em mão de obra e originárias de outros estados com sede provisória na base territorial do estado.

A atividade de Fabricação de Produtos Alimentícios contempla 15% da massa salarial e quase um terço do emprego gerado na indústria (27 %). O líder na criação de emprego formal nesta atividade é, de longe, o Abate e Fabricação de Produtos de Carne (Frigoríficos) que, sozinho, responde por 15% dos postos de trabalho da indústria, o que dá uma boa idéia de sua importância econômica. Sua origem remonta década de 70 e esta associada à possibilidade de processar a carne e derivados da bovinocultura, que conta com um rebanho de cerca de 8 (oito) milhões de cabeças (10º do país).
No segundo bloco, mas bem distante dos frigoríficos, comparecem três agroindústrias associadas à “fabricação de produtos para alimentação humana”, “laticínios” e “fabricação de ração animal”. Quase 10% do emprego industrial está concentrado nelas. Estas são atividades recentes no estado e desenvolveram-se como uma extensão de outras já consolidadas (caso dos laticínios desenvolvidos como extensão da bovinocultura de corte, ou da fabricação de rações como extensão da sojicultura intensiva). Seja como for, no geral elas prescindem de maior incorporação de tecnologia e gestão para ampliar seu potencial de geração de emprego e renda.
As demais subatividades, pelo menos por ora, tem importância secundária do ponto de vista econômico, muito embora não seja demais lembrar seu notável potencial, exatamente pela possibilidade que encerram de verticalização da produção agrícola já instalada e operante.